terça-feira, 18 de outubro de 2016

A melhor amiga

Os amigos podem ser peças fundamentais durante o nosso percurso, principalmente durante a infância. Marcam-nos para a vida!
Há amigos dos quais vamos recordar pormenores 20 e tal anos mais tarde. Até das datas de aniversário.
Lembro-me perfeitamente que a Catarina faz anos a 23 de Fevereiro. Chegámos a ir mascarados para a festinha dela - na altura coincidia com a semana do Carnaval. A Sapinha faz a 16 de Abril, a Paulinha a 9 de Novembro e a Ana Filipa a 20 de Julho. A Cátia faz anos no dia 25 de Junho, o dia em que nasceu a nossa caçulinha (33 anos depois dela). A Cátia não era só minha amiga, era minha vizinha de baixo e passávamos a vida enfiadas na casa uma da outra. E a Lila... a Lila para além de amiga era (e ainda é) minha prima - a ela foi difícil de perder o rastro.
São amigas de infância com as quais só mantenho contacto graças às redes sociais. É que entretanto estive alguns anos sem saber nada delas (com 15 anos mudei-me para longe e ainda não havia telemóveis. Restaram-nos as cartas) mas, mesmo que não lhes mande uma mensagem de Feliz Aniversário, chega o fim do dia e penso para mim "esta amiga fez anos hoje"! E recordo com carinho vários momentos nossos. A infância tem esse poder.
E acredito que não sou a única com memórias longínquas de outros tempos. De outros ares. Com outros sabores.
E é por tudo isso que sei que, por muitos amiguinhos que o Bernardo tenha e por muito que ele fale no Tomás ou no Rafael, a sua melhor amiga, aquela de quem ele se vai lembrar sempre com muito carinho, é a prima Maísa. Foi a primeira amiga, a primeira companheira.



O Bernardo e a Maísa no Ferry entre Setúbal e Tróia
Os dois a brincar na praia.
O Bernardo e a Maísa têm pouco mais de um ano de diferença. Ele é o leite e ela é o café (como diz a vovó Dáda) mas não vivem um sem outro. Eles adoram-se. Incondicionalmente!
Desde muito pequeninos que brincam um com o outro e até a sala da pré-primária eles partilharam - coincidências felizes!


Podem haver outros amigos mas no fim do dia o Bernardo quer ir jantar com a Maísa ou dizer-lhe uma coisa importante, ou só dar-lhe um beijinho. E quando se juntam (e já aqui o disse) tornam-se dois índios selvagens... gritam como se não houvesse amanhã, correm como se a energia não tivesse fim, riem das parvoíces mais estúpidas que possam imaginar, fazem asneira atrás de asneira, sujam-se dos pés à cabeça e até discutem e zangam-se um com o outro. Mas cinco minutos depois está tudo bem e continuam a gritar e a correr e a fazer asneiras.



Jardim de Infância - Ano Letivo 2014/2015


A Maísa é a companhia que o Bernardo quer quando vamos à praia ou à piscina, ao parque ou dar um passeio. Até nas lojas de roupa ele se lembra da prima e pergunta se lhe podemos levar uma prenda.
Este ano a Maísa entrou para o 1° ano e ficou na mesma escola que o Bernardo. Cada um tem os seus amiguinhos, os meninos das respetivas salas. No entanto não deixam de se controlar um ao outro: o Bernardo chega da escola e conta que a prima caiu e que é muito vagarosa a fazer os trabalhos. E lá em casa ela faz o mesmo: conta o que o Bernardo fez na escola. Têm sempre que se meter na vida um do outro e estão sempre a fazer queixinhas um do outro... no fundo, no fundo é só preocupação! E mesmo vendo-se um ao outro, todos os dias, na escola, chega o fim de semana e é uma desgraça se o Bernardo não vai ver a prima. Quer ir almoçar com ela, ou lanchar, ou jantar. Nem que seja só para ir dar um beijinho. Desde que dê para estar um bocadinho com a Maísa, é o que interessa.


A passear por Alcácer do Sal


Foram ao salão da Vovódi cortar o cabelo!


Nós ralhamos. Reclamamos que são impossíveis de aturar os dois juntos. Que ninguém aguenta, que não pode ser, que se não se começam a portar bem é a ultima vez... mas claro que não é.  Não vai ser.  Porque eles estão a viver a infância em pleno, estão a construir as memórias do futuro. Aquelas que vão ficar para sempre. Porque vai ser aquela amizade importante da infância que eles nunca vão esquecer.

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